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domingo, 2 de outubro de 2011

Ética educacional do teatro como agente político.





Existe algum momento histórico em que a política não foi considerada importante? Existe algo que aconteça na vida do ser humano sem consequência política de qualquer espécie?  Perguntar se o teatro político tem importância hoje é o mesmo que perguntar se hoje a política ainda faz parte de forma necessária na condução da educação e reflexões que o teatro por vezes induz nos espectadores. É o mesmo que questionar a validade da liberdade de expressão que propicia o levantamento de questões da vida para serem debatidas e repensadas.

Erwin Piscator
O teatro atinge a educação de forma direta, pois suscita novas ideias, provoca a criatividade, a imaginação e por vezes chega à prepotência de obrigar a pensar. E o que seria a educação além da escolha de modos políticos de se comportar e pensar que são ensinados a alguém que ainda não está adestrado da forma que se quer?  Agindo assim o teatro é político, querendo ou não.
Mas o que é realmente considerado teatro político? Provavelmente aquele teatro que abre mão do seu posto de Arte para carregar junto uma ideologia, um ensinamento específico sobre um determinado ponto de vista, totalmente tendencioso e mais que educador, afunilador de ideias.  Não me interesso em qualificar isso como positivo ou negativo, mas considero uma prática que possui limitações e proíbe uma divulgação de ideias autônomas e capazes de dar autonomia reflexiva ao espectador.


Teatro, para ser uma arte do coletivo, sem ter política indutora, necessita ser Arte e abrir mão de dirigir vidas, abrir mão de ideologias e apenas questionar, suscitar dúvidas, apontar possíveis direções, sem empurrar ninguém para o caminho que se acha conveniente. Teatro que não abre mão de ser Arte, pois que Arte é aquilo que vem expressar a ideia de alguém, mas que ao se expor para o mundo, se torna livre e a única mensagem que transmite é a que o espectador resolve entender.


Bertolt Brecht
Então que cada conduta acaba por conceber resultados específicos e o teatro dito político produz resultados que não me interessam, assim sendo, este tipo de teatro ainda é sim muito útil para quem tem objetivos que necessitam afunilar pensamentos, mas eu fico com o Teatro Arte por pura opção política. O tempo dele foi importante, necessitou aparecer, mas agora o mundo tem outras demandas. 

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Ator, Diretor e Espectador.

São três peças fundamentais de um jogo, cada um é um vértice do triângulo e somente juntos é possível fechar a figura cênica e dar forma ao teatro. São de tal forma fundamentais que mesmo querendo-se\tentando-se excluir qualquer desses (ator, diretor ou espectador), a figura no máximo se oculta em uma das outras duas restantes.

Ator é o elemento que dá vida ao texto dramático, sem ele o texto não consegue ganhar o status
de teatro e fica no nível da literariedade. É através das ações pelo ator executadas que cada palavra se transforma em gesto e em fala realmente proclamada. Sem isso volta-se ao campo da imaginação do leitor, volta-se a deixar tudo por conta do receptor da mensagem.

Diretor é, até mesmos pela obviedade da nomenclatura, aquele que dirige, ou seja, é ele quem vai guiar as ações dos atores para dar forma cênica de acordo com a linguagem teatral pretendida e definir (ou pelo menos sugerir) a respeito das questões estéticas, técnicas e etc. que surgem durante a montagem de um espetáculo teatral.

Ator e Diretor são figuras intrinsecamente ligadas e essa ligação se torna evidente em experiências que tentaram excluir a direção e deixar tudo a cargo do ator. Porém o que foi feito senão transferir o Diretor para dentro do mesmo corpo, para a mesma pessoa do ator? Mesmo fisicamente ausente, o Diretor mantém-se funcionalmente presente.

O Espectador se presta a assistir, a ser a testemunha ocular das ações do Ator, e a isso me basta para definir esse elemento como função específica e necessária ao teatro, lembrando inclusive que a palavra grega “théatron”, era usada não para designar a arte ou o local onde se encenava, mas sim o local de onde se via as peças, sendo usado “teatro” para o todo apenas na posterioridade.


“Além disso, o comportamento do público, que o ator percebe ou sente, contribui para modificar sutilmente sua representação. Ainda assim, os efeitos desse face-a-face serão negativos ou positivos dependendo se o ator se sentirá apoiado, compreendido, ou ao contrário olhado com indiferença, aborrecimento, ironia, hostilidade etc., enfim, contestado e rejeitado. Daí as variações que é possível observar entre duas representações.” (Jean-Jacques Roubine, a arte do ator).

Essa função em especial, é definida muitas vezes como pertencente somente às pessoas que assistem ao espetáculo mas não estão trabalhando nele, ou seja, apenas apreciadores do momento. Porém é fácil também aceitar que o diretor nada mais é que um espectador treinado e com uma criticidade técnica que o dota do privilégio de opinar na montagem da peça, mas não seria também o ator, espectador do seu companheiro de cena e vice-versa, ou no caso de estar sozinho, espectador de si mesmo sob um diferente ponto de vista? Pode-se então dizer que Ator, Diretor e Espectador são funções dadas a pessoas e que uma mesma pessoa pode assumir mais de uma função, enquanto que ator, diretor e espectador são pessoas que assumiram uma dessas funções de forma mais explícita que outra.

Essas pessoas podem ser eliminadas do processo teatral (com a única ressalva do ator, que necessita estar bem definido para não se ficar na literariedade e alcançar a teatralidade que define a arte como teatro), porém as funções das quais elas são incumbidas, se não acham uma corporificação específica, se transferem para os outros participantes do conjunto. Fica destinado então que o número mínimo de seres fisicamente presentes para a execução de algo cênico esteja a cargo da proposta e da linguagem teatral que se queira utilizar.


Sinceramente,
Allan Leite