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sexta-feira, 22 de abril de 2011

Sobre a prepotência que temos quando nos achamos capazes de opinar e julgar.

Ele entra em cena, forte e majestoso, com o brilho no olhar daquele que sabe o que quer e a beleza da humildade de quem sabe que não é nada. Em cima de um altar dourado, o Corifeu. A direita do Corifeu um Coro de estátuas de marfim com faixas pretas tapando onde seriam os olhos.


Ele: Diga você, que está ai em cima deste altar, o que quer de mim?

Corifeu: Queremos a sua sabedoria, aquela que lhe torna humilde ao mesmo tempo que imponente como um rei.

Ele: Mas minha sabedoria não é minha, ela já é do mundo, pois foi nele que eu a encontrei.

Corifeu: Então nos diga onde a achou.

Ele: Pois digo-lhe sim. Aliás, se tivesse prestado real atenção no que acabei de dizer, já saberia onde procurar, achei tão simples adorno no mundo.

Corifeu: Mas o mundo é amplo demais para procurar.

Ele: E mais ampla é a variedade de sabedorias que poderá achar.

Coro: Queremos a sua! A sua é que nos interessa! Queremos a sua!

Corifeu: Conhecimentos de mundo todos temos, mas queremos a humildade daquele que não se acha capaz de julgar para então podermos deliberar sobre os assuntos de forma imparcial.
Diga então algo sobre alguma coisa, pegue um assunto, desenvolva argumentos e nos convença. Deixe que nós analisemos seus métodos.

Ele: Sobre qual assunto quer que eu fale?

Coro: Qualquer assunto! Sobre todos os assuntos!

Ele: Pois querem que eu fale sobre algo e opine, mas para opinar teria que fazer um julgamento e tomar uma posição. Esse papel neste mundo é seu Corifeu e portanto para tal eu teria que subir nesse altar. Digo então (sobe no altar) que aqui de cima ninguém pode jamais ser humilde e imparcial, aqui se ganha credibilidade mas se perde inocência, deste impetuoso elevado de ouro saem os mais diversos julgamentos para todos os assuntos.
Não o condeno por ser aquele que é prepotente por achar que detém A verdade; nem tu Corifeu nem todo o Coro que o segue de olhos blindados. Não o condeno pois todo aquele que o condenar há de tomar seu lugar (desce do altar) e eu nada sou para julgar.

Corifeu: Verdades sejam feitas aqui de cima, não importa se boas ou más, mas sejam feitas então. Mas que o mundo saiba que ele sobe constantemente no altar da prepotência!

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Sobre os julgamentos de caráter

- O problema são eles, sempre me julgando e me chamando de puta. Não aguento mais, existir é tão cansativo.

- Você não deveria se importar, querida.

- Não me venha com aquele papo de que "não importa o que eles pensam", eles me julgam puta e isso me magoua.

- Não, eu disse que você não deveria se importar por que eles estão certos, você é uma puta. Sim, você não passa de uma puta na sociedade mas é exatamente isso que você é e assim que você é feliz. Será que consegue me entender?

- Pra mim, continua igual a todo aquele papo de auto-suficiência emotiva que já não me basta.

- Vai um pouco mais além, vai para a parte de conceitos de pessoas e palavras. Te chamar de puta não deveria te magoar por que você é uma puta e é assim que você é feliz, você vive a sua maneira e deveria saber que cada ação traz uma consequência e cada escolha um responsabilidade, você deveria suportar essa responsabilidade ou mudar suas escolhas e seus comportamentos, pois você só se comporta assim para buscar a satisfação pessoal e se o mal-estar causado é maior então está na hora de mudar o comportamento.

- Mas quem são eles para me julgar? E eu não sou puta, eu só não sigo a moral hipócrita deles, satisfaço meus desejos quando eles aparecem e não me importa se Deus acha que é pecado.

- Exatamente. Você é uma puta.

- Ah, vai se foder.

- Puta não passa de uma palavra e palavras não passam de conceitos. Não se estresse demais querida, puta é apenas uma palavra que eles usam para definir pessoas como nós, é o pensamento deles e o julgamento deles mas para nós as regras são outras e enquanto não quisermos ficar iguais a eles não precisamos nos preocupar.

- Me dá um cigarro, por favor...

- E não esqueça que nós também sabemos jogar. Se puta é a palavra que nos define, imbecil é a palavra que nós usamos para defini-los.

domingo, 7 de novembro de 2010

De Nada Vai Adiantar

Me sinto travado, cheio de textos não escritos, idéias não expressadas...
Um turbilhão de conversas e vontades me confunde a cabeça, todas querendo ganhar o mundo, nascer –talvez precocemente – nesse mundo cruel que as ignora. Queria falar de liberdade, de modo de vida, de jeitos de pensar, de amores e de sentimentos menos imbecis que esse, mas as palavras travam em algum ponto escuro entre o cérebro e os dedos.
Ando tendo uma experiência que sempre desejei, de palavras fortes em frases incompletas, são conversas intrigantes que deixam sempre um enigma em minha cabeça.Encontrei uma pessoa que me desassosegou intelectualmente e há tanto tempo nao sentia necessidade de manter relação de convivencia com um ser humano.
Tenho buscado mais que nunca meu equilíbrio e extradição desse mundo binário de bem e mal, buscando uma razão maior e mais limpa.
Não deixo de ler e escutar Nenê Altro e Dance Of Days nesses últimos tempos de turbilhões emocionais, queria até culpar esse cara que sabe me jogar para o mundo depressivo, mas mesmo lá a culpa é minha e só minha por não me deprimir como devia. De onde vem tanta força? Pra que força para não se entristecer quando o coração pede tanto? Devo ser mesmo um sonhador utópico, cheio de aspirações e vivendo num mundinho fechado, um mundo de fadas e bruxas que me atormentam o pensamento lúcido.
Meditei por menos de um minuto na areia da praia, sentei e senti o calor subir da areia das dunas para o meu corpo enquanto o Sol queimava meu rosto. É tanta energia contida e inúmeras revoluções perdidas que já nem sei pra que pensar. Bom mesmo seria colocar tudo em métricas perfeitas para pessoas da academia que discutissem tudo na mesa do auditório, para me sentir útil nesse mundo ficcional das palavras bonitas.
Que se foda tudo isso, em meio a tantas decepções que me constroem e alegrias que me mantém em pé esse equilíbrio que se chama felicidade é algo que tenho chegado bem perto. Me sinto leve enquanto sombrio e complexo demais e sempre que busco simplificar me sinto fútil e desnecessário. Espero um dia que minhas idéias voltem para me balizar e finalmente trabalhar por um ideal. Enquanto isso continuo nessa solidão que me alivia, sendo um Ícaro por dia.

Sinceramente,
Confuso.