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sábado, 6 de outubro de 2012

Educação Social mantém o sistema.


Vou dar-me a liberdade de não formular muito mais que alguns parágrafos para discorrer sobre o texto de Marlene Ribeiro – EXCLUSÃO E EDUCAÇÃO SOCIAL: CONCEITO EM SUPERFÍCIE E FUNDO, pelo simples fato de ela invocar logo no início o conceito de “verdade e poder” de Focault, no qual resume para mim toda a resposta para as outras questões.  Resumo a resposta nesse conceito, pois se quem está no poder determina quais as verdades válidas, é também quem está no poder que decide como vai ser a educação formal de cada indivíduo da sociedade e se utiliza dessa possibilidade para fazer a manutenção do sistema inteiro.
O conceito de exclusão abordado no texto é limitado, pois está completamente inserido dentro deste sistema. Ninguém está excluído de tudo, apenas excluído daquilo que é conveniente para a classe que está no poder. A classe dominante a quem me refiro é a dona do Capital, e para o Capital é conveniente que se estabeleça uma tensão entre o social e o capital. Mantendo este modo de visão maniqueísta, o Capital pode – mesmo endemonizado – desviar a atenção para problemas de fachada, exatamente como faz na educação.
O Capital cria as vítimas do capital, as exclui e as transforma em uma espécie diferenciada sobre a Terra e depois cria campanhas para “salvá-las”, do mesmo jeito que o Greenpeace faz com as baleias e os golfinhos.
O problema de se tratar as vítimas do capital como se tratam os golfinhos, é que se não fosse o próprio sistema, eles não seriam outra espécie, mas seriam iguais aos que estão no poder.
Mas como é possível então criar essas vítimas e ainda convencer todo mundo de que está se tentando resolver um problema que não é problema de verdade para o sistema?  Pela educação.
Criou-se a educação inclusiva e a educação social ao mesmo tempo que se criou a educação profissionalizante, a educação regular... E vai-se criando novos termos e cada vez mais separando quem deve ter acesso a qual tipo de conhecimento.
Mantendo a atenção sobre a educação regular e a educação social, percebemos que a primeira é formulada para que seus egressos sejam pessoas capazes, auto-suficientes e mercadológicas, pessoas que precisam vencer na vida, treinados para serem individualistas e bons profissionais, competitivos burgueses da época atual. Já a segunda, é formulada para fornecer uma educação humana, uma educação que faça com que seus educandos sejam capazes de pensar no próximo, ter empatia, discernir aquilo que pode prejudicar alguém daquilo que não pode. O conteúdo disciplinar, nesta vertente, fica em segundo plano, causando grande defasagem em comparação com o primeiro modo de se educar. Porém o primeiro modo também deixa suas crias com um déficit imenso quando se pensa além do mercado.
Fazendo essa comparação, fica visível o porquê educação social não é inclusiva, ela separa o joio do trigo. Amansa as pessoas de risco, mas não as coloca no mercado de forma efetiva e mantém o sistema equilibrado. E a educação regular no entanto, serve da mesma maneira para essa manutenção já que cega os profissionais liberais em formação para questões sociais e os desestimula a reverter o quadro.
Inclusiva e social, seria uma educação que fosse unificada, tentando incluir as pessoas no mercado ao mesmo tempo que pensa as questões humanas, e que não fosse direcionada a apenas uma classe da sociedade, mas que fosse padrão a todos.

2 comentários:

Flávia Ramos disse...

Como tudo na vida, é preciso equilíbrio pra dar certo. Educação é fundamental, mas precisa ser baseada nos princípios corretos. Infelizmente, me parece que são estes que encontram-se invertidos.

Allan Bique disse...

E quais seriam os principios corretos?

Além da sensibilização emocional e da capacitação técnica necessária para se viver.. não costum o aceitar nenhum principio que tome pra si o titulo de correto